“Abominação”, a fantasia vermelha de Gary Whitta

Abominação é vermelho. É assim que defino o romance de Gary Whitta: uma fantasia vermelha. Dito isso, devo buscar uma maneira para explicar o porquê do vermelho ser uma ótima definição para o livro em questão e, com isso, tentar despertar o interesse e atenção do público atingido para esta surpreendente estória. O vermelho que aqui cito é, a meu ver, o maior atrativo da obra, portanto, pretendo abordá-lo com destaque durante o texto. Ao ler, imagine o tom de vermelho permeando as palavras – isso servirá de preparativo para a leitura de Abominação em um futuro breve.

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Afinal, por que defino Abominação como uma fantasia vermelha? Não é um tipo comum de definição, porém, nada define melhor a estória criada por Gary Whitta. Para os leitores familiarizados com o gênero da fantasia, é fácil imaginar um certo grau de violência – característica comum e totalmente válida dentro do gênero – e consequentemente imaginar uma estória com um bocado de sangue. Esse é o resultado comum em livros que abordam batalhas, espadas e magias. Com isso, fica óbvio que a minha intenção ao definir a obra como uma fantasia vermelha é fazer menção a todo sangue que é derramado durante a trama. Entretanto, minha maior intenção é ressaltar não apenas a quantidade, mas sim a qualidade desse sangue.

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Seguindo a tradição, não irei me ater ao livro de uma maneira técnica, dando sinopse ou tentando resumir a estória de alguma forma. Destaco aqui apenas o que me chamou mais a atenção e deixo com que você, caro leitor, descubra o restante por conta própria. Seguindo essa linha, devo dizer que uma das coisas que mais me agradou em Abominação foi a sua simplicidade e concisão. Aqui, nada é exagerado, ao contrário do que vemos em muitos livros de fantasia. A exatidão é um dos pontos fortes, o livro não caí no pecado do exagero ao desenvolver seus personagens ou descrever seus cenários. Tudo está em seu devido lugar e em quantidade adequada. Abominação é uma obra simples, despretensiosa e cativante; sua narrativa é capaz de conquistar o leitor de bate-pronto e sua qualidade é inegável.

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De volta ao vermelho. Quero evitar um possível despreparo e alertar os leitores para o conteúdo do livro que, em suma, pode ser definido como pesado. Como fiz questão de destacar anteriormente, Abominação é simples e conciso, mas não posso me ater apenas a essas características e deixar com que o leitor pense estar diante de um livro comum ou feito para qualquer pessoa. Embora a história seja positivamente descomplicada – fato que muito me agradou –, seu teor é pesado e um tanto indigesto. Os principais momentos do livro são descritos sem floreios; muitas das ações desencadeiam em verdadeiros banhos de sangue e, como pré-requisito, é necessário um bom estômago para que se chegue ao término da estória. O sangue em abundância é algo reconhecido pela própria editora que assim como eu, fez questão de destacar esse elemento em sua edição – bordas manchadas de sangue são apenas um indicio do que o leitor irá encontrar ao abrir seu exemplar.

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Também devo destacar que a violência e sangue não são coisas gratuitas. Abominação é uma fantasia vermelha porque precisava ser assim, seu peso não é um mero artifício para chamar a atenção, mas sim um reflexo de uma narrativa construída com base em castigos e punições severas. O vermelho é a cor que define o clima da obra e um espelho que reflete a personalidade e atitude de seus personagens. O sangue em grande quantidade não é um truque barato, ele existe como resposta aos pesares e se justifica com naturalidade. Com isso, temos um livro extremamente digno e surpreendente – um puro romance de entretenimento; uma fantasia vermelha, como aqui defino com a melhor das intenções.

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Abominação se torna ainda mais interessante quando o enxergamos como o romance de estreia de Gary Whitta. Mesmo sabendo que o autor possui uma ótima bagagem – é roteirista de alguns jogos e um dos criadores do enredo de Rogue One, filme da franquia Star Wars –, é admirável olhar para a obra como um todo e perceber que esse é o resultado de uma primeira experiência dentro desse gênero literário. Gary Whitta demonstrou muito talento em seu primeiro romance, entregando para o público um livro autêntico e cravando seu nome na mente dos fãs de fantasia.

Considero Abominação uma leitura agradável e surpreende, uma das melhores que tive esse ano. Uma obra de fantasia com a capacidade de atingir tanto os ávidos quanto os iniciantes fãs do gênero com a mesma proporção. Recomendo como ótimo entretenimento e torço para que mais leitores possam se interessar pelo pesado, sangrento e completamente competente livro de Gary Whitta.

Livro recebido em parceria com a DarkSide®

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