RESENHA: “Diário de uma Escrava” é um livro inclassificável, mas extremamente necessário

Talvez esse meu começo seja uma pouco polêmico, mas faço questão de que assim seja, pois é meu dever escrever exatamente o que penso e sinto sobre o livro a seguir. Diário de uma Escrava é um romance da Rô Mierling e a única certeza que eu tenho com relação a ele é o que fiz questão de afirmar logo no título. Inclassificável. Muitos vão ler esse livro e tentar, por mero costume, classificá-lo de alguma forma. Ruim, bom, ótimo, excelente… Mas não é disso que o livro se trata nem é isso o mais importante. Sendo assim, irei escrever meu texto não para classificar o livro de uma forma ou de outra – deixo isso para quem queira e sinta a necessidade de tentar através da leitura do mesmo –, e sim para compartilhar com vocês a experiência que tive, destacando os pontos que mais me chamaram a atenção.

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Saindo de uma possível polêmica – se acostume com isso, o livro tem esse potencial de levantar opiniões divergentes – para entrar em outra, explicarei (ou pelo menos tentarei explicar) o porquê considero Diário de uma Escrava extremamente necessário. Mais uma afirmação feita de cara por quem leu e acredita piamente nisso. O livro não se faz necessário por sua história em si, escrita, estilo ou qualquer outra questão que ajude a formar sua estrutura e pano de fundo, embora cada uma dessas coisas tenha sua importância. O que torna a leitura necessária, a meu ver, é seu tema, e é isso que eu acho importante destacar aqui.

Como de costume, não vou fazer uma sinopse ou explicar sobre o que o livro se trata. Isso acabaria tirando o foco do que tenho a dizer, mas você pode encontrar essas informações na página do livro pelo site da editora, caso ache interessante.

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Diário de uma Escrava se destaca por abordar um assunto tão pesado de maneira tão crua, usando o que existe de mais podre no ser humano para construir sua narrativa. Relacionamento abusivo, violência desenfreada, vocabulário pesado e atitudes impensáveis são elementos que permeiam o livro do começo ao fim. São poucos os momentos em que o livro foge da triste e intensa realidade, portanto, não busque entretenimento nessa leitura. A obra faz com que o leitor perceba a realidade em cada linha e isso é o que mais nos motiva durante a leitura. O tom de necessidade da história surge ao tomarmos consciência de que a insanidade explicita é um retrato da realidade, algo que já aconteceu diversas vezes fora das páginas de um livro. Diário de uma Escrava não é uma obra de fácil digestão – apesar de ser de fácil compreensão –, mas cumpre seu papel ao fazer reflexões sobre um tema ainda muito negligenciado pelas pessoas.

Rô Mierling tem algumas características que a tornam uma autora diferente. Sua escrita une um tipo de não-ficção com ficção, algo na medida certa e raro de encontrar. Gostei e me surpreendi com seu estilo – uma escrita cheia de simplicidade, capaz de se aprofundar nos momentos necessários. A autora, pelo que pude sentir durante a leitura, abre mão de alguns elementos literários em benefício da narrativa. Diário de uma Escrava por enquanto é um ótimo exemplo dessa capacidade da autora: escrito sem muitas nuances, se adaptando as necessidades da história, tudo em prol da veracidade e do livro como um todo. Rô Mierling é sem dúvida uma autora para se acompanhar de olhos bem abertos daqui para frente; uma mulher que escreve indo direto ao ponto de maneira simples e crua. Fico contente por ter conhecido seu trabalho, orgulhoso em ver uma autora nacional alcançando o merecido reconhecimento e ansioso pelos próximos livros.

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Inclassificável, mas extremamente necessário. Diário de uma Escrava irá agradar alguns na mesma proporção que irá desagradar outros – um fato comum para um livro desse gênero –, mas não irá, de maneira alguma, deixar de ser interessante para o público em geral. Seja pela sua edição de beleza quase psicopata ou pelo tema completamente atraente, a obra continuará despertando o interessante das pessoas por muito tempo. Uma borboleta que chegou para voar alto e colocar a dura realidade acima de tudo. Quem sabe um dia, com cada vez mais pessoas refletindo a respeito de assuntos como esse, o mundo possa ser tão belo quanto uma borboleta?

Livro recebido em parceria com a DarkSide®

4 comentários sobre “RESENHA: “Diário de uma Escrava” é um livro inclassificável, mas extremamente necessário

    • Eu que agradeço pela oportunidade de conhecer o seu trabalho. Espero que as pessoas classifiquem menos para enxergar mais… Seu livro é um baita alerta, sem dúvida.

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