RESENHA | Clive Barker e seu “Evangelho de Sangue” – um livro extremamente sensorial

Nada mais justo do que iniciar este texto com um aviso sincero: a obra que trato a seguir é voltada para pessoas de cabeça e estômago forte. Boa parte da sua condição física e mental será colocada à prova no momento em que você decidir descobrir sobre o que se trata o livro em questão. Evangelho de Sangue é o nome do nosso algoz, e se você, assim como eu, gosta de sentir o horror na pele, fique à vontade para prosseguir com a leitura. Sente-se e procure ficar confortável pelo menos de inicio, pois a tendência é que o prazer do conforto se torne cada vez menor daqui em diante.

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Com o aviso devidamente dado, podemos começar a nos arriscar. Primeiro, vamos entender o que é Evangelho de Sangue, esse título que só de ler já mexe com algo dentro da gente. Pois bem, de uma forma bem resumida, Evangelho de Sangue é um romance do mestre Clive Barker; trata-se de um livro que funciona como a origem de Hellraiser, outro clássico do autor que já deu as caras aqui no blog. Ambos os livros foram lançados pela DarkSide Books aqui no Brasil, editora que vem fazendo um trabalho espetacular com as obras do Clive Barker. Sendo a obra em questão a origem de Hellraiser, fica fácil deduzir que estamos diante de algo de peso. Evangelho de Sangue é a expansão do universo dos Cenobitas e, mais especificamente, a volta do Pinhead – figura icônica e um dos maiores personagens das histórias de terror de todos os tempos. Quem leu Hellraiser conheceu um tipo de terror que agrada até mesmo o mais exigente fã do gênero – a novela de Barker serviu de aperitivo, abriu espaço para algo maior e mais forte. Agora, temos ao nosso alcance Evangelho de Sangue, a peça que faltava para completar o quebra-cabeça e saciar por maior tempo os fãs de um dos maiores autores de terror.

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Não brinco quando digo que Evangelho de Sangue é algo voltado unicamente para pessoas fortes. O tipo de terror que já era de balançar estruturas no curto Hellraiser chegou ainda mais consistente em Evangelho de Sangue, onde Clive Barker trabalha com mais que o dobro em todos os aspectos. Se antes tínhamos uma porta para o inferno, agora temos duas, no mínimo. O universo dos Cenobitas é ampliado de uma maneira que beira o sem limites. É nesta obra que vamos conhecer de fato o famigerado Pinhead e tudo que faz parte da sua construção. Mais do que isso: o leitor irá descer ao inferno, conhecer a Ordem da qual o Pinhead – nesse romance também conhecido como Sacerdote do Inferno – pertence e sentir bem próximo de si todo o terror que envolve a narrativa.

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O leitor comum precisa se abastecer de coragem para adentrar o mundo de Evangelho de Sangue, visto que a obra é uma das experiências mais sensitivas que eu já tive o prazer de conhecer. É bom estar preparado para sentir o que o livro tem a oferecer desde as primeiras páginas – medo, agonia, repulsa e arrepios estarão presentes em enormes quantidades o tempo inteiro. Não há espaço para moleza, o livro irá te deixar sem fôlego com seu ritmo e dará o golpe final quando você estiver implorando por ar. Embora possa parecer, isso não significa algo pejorativo, mas sim a qualidade e capacidade que a história tem de pegar o leitor com firmeza e fazê-lo experimentar uma sensação única. Um prato cheio para os fãs de terror que com certo masoquismo estão sempre buscando por algo mais pesado e assustador; um livro extremamente sensorial.

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Não posso, de maneira alguma, escrever sobre Evangelho de Sangue sem comentar a respeito de seu arquiteto: o mestre Clive Barker. Eis aqui um autor que, apesar de consagrado, merecia ser ainda mais valorizado. Talvez chamar Barker de mestre seja uma espécie de eufemismo, pois ele é na realidade um monstro (sagrado) da literatura de terror. Exagero? Nem um pouco. Clive Barker é sinônimo de sangue, um homem de mente singular capaz de imaginar o que para nós é inimaginável. Sua escrita é a mais visceral com que já tive contato, a insanidade é palpável e o terror absoluto transborda de suas palavras. Impossível sair indiferente de seus livros. Sou fã, mas nem por isso suspeito – o talento do autor é um fato, uma unanimidade entre os apreciadores do gênero.

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Se você chegou até aqui, é digno de todo o meu respeito e admiração. Você é de fato um leitor corajoso e de bom gosto. Espero que o pouco que compartilhei seja o suficiente para despertar seu interesse pela leitura e que você possa ter todos os seus desejos sangrentos realizados por essa obra. O terror te aguarda, se entregue e desfrute de todas as sensações. Ah, boa sorte no caminho de volta.

Livro recebido em parceria com a DarkSide®

 

2 comentários sobre “RESENHA | Clive Barker e seu “Evangelho de Sangue” – um livro extremamente sensorial

  1. Eu fiz o pedido hoje e me disseram que eu preciso ler hellreiser antes …verdade? Bom , espero ter feito uma boa compra, pois estava em duvida entre esse é o condenado tá,bem da darkside…excelente resenha !

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    • Não necessariamente. Eu recomendo a leitura de “Hellraiser” por ser um baita livro e para um primeiro contato com a escrita do Clive Barker, mas você pode ir direto para “Evangelho de Sangue” sem problema algum. Não vai prejudicar sua leitura. Espero que goste do livro, eu amei ❤ Obrigado pela visita!

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