Resenha | “O Menino que Desenhava Monstros”, de Keith Donohue, surpreende com horror honesto

O Menino que Desenhava Monstros foi mais um dos livros presente em minha lista de livros para não subestimar em 2016 – títulos que enxerguei como promissores no começo do ano, mas que precisam receber a devida atenção para não passar batido. Livros que, em meio a tantos nomes já consagrados, precisam de um cuidado especial para que se tornem relevantes. O livro em questão foi o que mais correspondeu as minhas expectativas, ocupando até o momento o posto de livro favorito do ano. Fico contente em ter acreditado nele desde o inicio, e agora quero expressar – ou pelo menos tentar – através desse texto a relação que criei com o livro e, quem sabe, incentivar alguém a dar a mesma oportunidade e acreditar tanto quanto eu acreditei nessa história.

Jack Peter vive em um vilarejo disperso na costa do Maine com seus pais. É inverno, há tempestades de neve, e o mar congelante e a sombria floresta de pinheiros isolam a família de todos, com exceção de uns poucos amigos. O silêncio se torna ameaçador e ruídos inexplicáveis provam que os Keenan não estão sozinhos.

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O trecho acima é a sinopse do livro, creio que isso seja o suficiente para saber sobre o que o livro se trata. Gosto dessa sinopse, pois, como você pode ver, ela consegue captar o clima geral e criar uma imagem na cabeça do leitor. Elimina, a meu ver, a necessidade de ficar falando sobre o que o livro se trata. A surpresa é o que mais importa em O Menino que Desenhava Monstros e eu pretendo manter isso, revelando o mínimo possível sobre sua história para que você tenha a oportunidade de ser tão surpreendido quanto eu fui. Apenas mantenha em mente desde já que você precisa conhecer esse livro, precisa descobrir tudo o que ele tem para oferecer por conta própria, sem que seja necessário alguém te dizer exatamente sobre o que ele se trata. Quero destacar a seguir alguns pontos que fazem a leitura valer a pena, mas não contar muito sobre o livro em si.

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O Menino que Desenhava Monstros é o tipo de livro que já nasce como um clássico, e não é preciso dedicar muita atenção para enxergar isso como uma grande qualidade. Sua competência fica evidente logo no primeiro capítulo, tudo soa ótimo e você, como leitor, irá perceber que está diante de uma obra importante no primeiro contato. A leitura é fácil – narrativa contemporânea – e não perde o ritmo em nenhum momento; as passagens são sempre bem construídas e é possível perceber todos os detalhes da trama se amarrando. A obra consegue ser original mesmo quando utiliza alguns elementos já conhecidos por fãs de horror, pois existe a preocupação de reciclar, o cuidado em fazer cada detalhe ter a cara do livro, uma identidade própria. São detalhes que instantaneamente transformam o livro em um clássico do horror, uma história que hoje se destaca e demonstra potencial para ser ainda mais reconhecida futuramente.

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Outra questão que desperta o interesse em O Menino que Desenhava Monstros é a sua maneira de chamar a atenção do leitor. Enquanto a maioria dos livros de horror buscam desesperadamente assustar o leitor desde o principio, o livro de Keith Donohue utiliza o caminho oposto. Não existe a pretensão de gerar pânico a todo custo, tudo é tratado com naturalidade e de forma regular, possibilitando que o tom do livro seja construído aos poucos. Sua narrativa aponta, sim, para o sobrenatural, gera expectativa, mas tudo é trabalhado sutilmente para que a tensão seja criada através de insinuações. A obra não faz uso de clichês comuns ao gênero para agradar ou conquistar quem está lendo; sua trama é tecida com delicadeza e inocência, algo que cresce aos poucos dando tempo ao leitor para assimilar cada detalhe.

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Keith Donohue prova ser um autor competente, sua história gera afeto, curiosidade e ansiedade. Toda a narrativa é classuda, as palavras são bem escolhidas e se encaixam perfeitamente na trama, gerando uma certa elegância que permanece sempre no nível ideal. O clima do livro nunca é esquecido – sempre um agradável equilíbrio entre o horror, a inocência e o cotidiano. Keith Donohue deu vivacidade para seus personagens e cenários, criou uma história que se desenha na imaginação do leitor. O Menino que Desenhava Monstros é original, cativante, surpreendente e acima de tudo honesto.

Indico O Menino que Desenhava Monstros para pessoas que além de se interessar por histórias de horror, querem encontrar algo diferente e original. O livro oferece começo, meio e fim com honestidade, não subestimando, em momento algum, a inteligência do leitor. Se você deseja se surpreender e ter uma leitura prazerosa, esse é o livro certo. Minha melhor leitura do ano, um livro de peso e que irá ocupar, com toda a certeza, um lugar especial entre os seus favoritos.

Livro recebido em parceria com a DarkSide®

 

 

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