EXORCISMO – relato de um leitor possuído

As datas evidenciam que o processo de exorcismo desperta há anos um medo profundo na alma humana. Em 1949, um garoto de apenas 14 anos sofreu uma suposta (acreditar ou não fica a seu critério) possessão demoníaca. Seu nome era Robert Mannheim. Em 1971, William Peter Blatty escreveu o clássico O Exorcista baseado no caso de Robert, livro que não demorou a ser adaptado para o cinema por William Friedkin em 1973. Agora estamos em 2016, e aqui estou eu para provar que um exorcismo ainda é um tema capaz de instigar a curiosidade e despertar pavores na maioria das pessoas. O relato a seguir é totalmente baseado na minha experiência de leitura; tem tudo a ver com as sensações que tive ao conhecer o caso que o garoto Robert esteve envolvido em 1949. Caso tenha curiosidade – recomendo que você tenha – e queira se aprofundar mais após essa leitura, o caso pode ser encontrado no livro Exorcismo, de Thomas B. Allen, lançado pela  DarkSide Books.

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Imagine o quão assustador é se deparar com o relato de um exorcismo verdadeiro, tendo em vista que apenas a ficção já é capaz de assustar bastante. Foi na condição de assustado que segurei Exorcismo em minhas mãos, com enorme receio do que viria pela frente. Assumo que foi uma decisão difícil abrir o livro e começar a correr meus olhos pelas páginas, pois sabia que não haveria uma maneira de voltar, uma maneira de desistir. Dizem que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo, mas é óbvio que isso não funciona com as nossas vontades e sentimentos, pois naquele momento, medo e curiosidade ocuparam o mesmo lugar dentro de mim ao mesmo tempo. A curiosidade foi mais forte: é sempre melhor assim. Fui em frente, encarei, e não encontrei um caminho de volta, como havia previsto. As primeiras páginas foram o suficiente para despertar os mais diversos sentimentos e provar que o receio que senti desde o princípio não era nenhum tipo de bobagem – ali estava a realidade, invadindo sem cerimonia e me tornando imerso em sua agonia.

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Eu caí. Uma queda rumo a uma dimensão em que os sentimentos se afloram. Durante a leitura, meu corpo reagiu, das mais diferentes formas, a cada estímulo que o caso exige do leitor. Não demorei a ser acometido pelos efeitos do medo – arrepios pelo corpo, olhar aflito, coração batendo forte, sensação de estar sendo observado. Foi com a aflição de quem teme por algo desconhecido que conheci o caso do jovem Mannheim; sofrendo, mesmo que não tenha sido no mesmo nível – mas imaginando o quão duro seria passar por isso – o que ele sofreu em 1949. Vivi o episódio do modo mais agradável que existe, e mesmo assim não posso dizer que me senti confortável. Senti o impulso de seguir adiante durante o começo, meio e fim. Senti que era meu dever aguentar firme e conhecer o caso por completo, sem ceder ao medo. Deveria honrar o sofrimento pelo qual o garoto passou, aproveitar a minha oportunidade de conhecer tudo em detalhes. Fui movido por algum tipo de determinação irracional, na base do custe o que custar, sabendo que minha recompensa seria obter o conhecimento absoluto de uma história que sobrevive com o passar dos anos – o conhecimento de um caso tão forte que inspirou um clássico.

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Foi assustador o tempo todo e eu sei que tinha que ser assim, não existem alternativas para esse tipo de experiência. Medo, aflição e até mesmo desespero – esse é o preço que se paga pelo conhecimento de um famoso caso de exorcismo. Outra coisa que eu sei é que meu relato pode soar negativo ao ponto de inibir você, leitor, de querer conhecer o caso, de querer se arriscar no território do medo. Não é assim que eu quero que você se sinta, pelo menos não no começo. Deixe o medo por último e se permita conhecer a fundo este caso. Lembre-se: isso ser o relato de um leitor possuído não significa necessariamente algo ruim, mas sim que fui tomado inteiramente por esse conhecimento. Significa que a leitura me mudou de várias maneiras, alterou meu ponto de vista sobre determinadas coisas, e esse tipo de possessão tem um lado todo positivo, por isso a possessão é válida.

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Possessão, demônios, exorcismo – verdade ou mentira? Não sou o dono da verdade, mas posso afirmar que a sensação de medo que tive ao ler o caso foi real. Este não foi simplesmente mais um contato com o famoso clichê do “baseado em fatos reais”, mas sim um documento que soa real de fato devido ao trabalho jornalístico e minucioso do autor. Palavras de um cético. Embora o tema esteja muito ligado com a ficção, o que encontramos no livro de Thomas B. Allen são informações reais, todo o relato foi montado com base no diário de um padre que participou diretamente do processo de exorcismo do garoto – não é à toa que o livro é considerado o mais completo relato de um exorcismo pela Igreja Católica desde a Idade Média. Se tudo que envolve o tema é real ou não, fica a critério do leitor, como eu disse no começo. Sendo assim, pode-se dizer tudo sobre o livro, menos que ele não tem uma base digna de confiança. Não há como negar que Exorcismo é fruto de um grande trabalho de pesquisa, o tipo de documento que levanta evidências e se sustenta muito bem.

Livro recebido em parceria com a DarkSide®

63 comentários sobre “EXORCISMO – relato de um leitor possuído

  1. Participando com certeza desse sorteio (afinal é muito útil o kit. u.u). 😀

    Assisti o filme (Possessed) que dizem ser baseado no livro, e em algumas partes até dava para dar risada, mas quando lembramos que é baseado em fatos reais vamos beber uma água, dar uma respirada e ficar numa boa, o melhor a se fazer. O.O kkk

    Gostei do filme, mas acredito que pelo seu relato, o livro trás muitos outros detalhes, que claro, não caberiam em um filme, e estou realmente bastante ansiosa por essa leitura, admito. ♥

    Curtido por 1 pessoa

    • Qualquer filme baseado no tema, apesar de muito assustador, não deixa de ser ficção. O livro é o que aconteceu de fato com o garoto, todo o sofrimento dele e tal. É de arrepiar! Obrigado por participar e boa sorte 🙂

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      • UAU! D: Então realmente mal posso esperar para degustar esse livro. O.O Deve ser realmente de arrepiar, talvez eu coloque fogo depois, ou chame um exorcista para exorcizar o livro, dependendo da intensidade da história. O.O

        Eu que agradeço pela oportunidade,
        Obrigada! 😀

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  2. Quando eu vi O Exorcista pela primeira vez tinha apenas 7 anos, fiquei morrendo de medo e achava agoniante. Sempre fui fã do Terror e assisto desde pequeno filmes do gênero com minha mãe. Há uns 6 anos que eu fui reassistir e pra falar a verdade achei meio cômico, pois os efeitos da época tornou-se muito falso em relação aos atuais.

    Porém, a história continua sendo muito boa. Esse é um dos motivos que desejo ter esse livro. Quero sentir esse terror novamente. Então estou aqui participando do sorteio.

    Ah, muito boa a sua resenha.

    Curtido por 1 pessoa

  3. Excelente resenha!

    Há um certa sensação desconfortável ao ler relatos de possessão demoníaca, fantasmagórica ou coisas do tipo. Gera sempre um aperto no peito, uma sensação que chega a ser claustrofóbica e melancólica. As vezes sou cético, outras vezes sou aberto a esses tipos de casos sobrenaturais. Aquilo que não podemos ver mas podemos sentir acaba nos deixando malucos, levando-nos às profundezas do intangível.

    Participando do sorteio.

    Curtido por 1 pessoa

    • É bem isso mesmo, acho que você pegou a ideia desse tipo de caso. Eu sou um cético, como citei em determinado momento da resenha, mas fiquei impressionado mesmo assim. Foi algo que realmente me assustou, que me fez refletir e pensar no sofrimento do garoto. .

      Obrigado por participar, boa sorte 🙂

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  4. Olá Sr. Machado, como sempre um ótima resenha, acredito que mesmo baseado em fatos reais, em um filme tu não tem aquela mesma imersão de um livro, pois no livro enquanto tu está lendo há toda a imaginação da cena, ainda mais baseado em um diário real 😀 quando eu ler o livro espero ter esse mesmo sentimento que tu teve, um pouco daquele devo ou não ler. Tomara que eu tenha a mesma sorte com esse sorteio, há e não havia lhe falado ainda. realmente muito bom o livro do tubarão, já que o blog me deu sorte no meu primeiro livro da Darkside, espero que dê sorte nesse. Grande abraço.

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    • E aí, Roan!

      Olha, estou acostumado a ler livros assustadores,, mas esse aqui é outro nível. É aquela questão: se a ficção é capaz de assustar, imagine a história real? Tenho certeza que você vai sentir um bocado de arrepios ao ler este livro, hahaha. AH! Bom saber que você curtiu Tubarão, é um baita livro, realmente.

      Obrigado por participar novamente de um sorteio por aqui e boa sorte! 😀

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