Resenha | O passado nunca morre em “O cabelo da boneca”, novela de Everaldo Rodrigues

Antes de tudo, permita-me fazer um breve comentário sobre a obra e seu autor, apenas para que você entenda do que estou falando. O cabelo da boneca é uma novela de terror escrita pelo Everaldo Rodrigues, publicada em formato digital na Amazon. Acompanho o trabalho do Everaldo há algum tempo, não como autor, mas sim pelo canal de literatura que ele mantém no YouTube, o Estante Etérea. Dito isso, tenho que admitir uma coisa: eu não esperava me cativar tanto com essa história. Não passou pela minha cabeça que aquele Everaldo dos vídeos conseguiria me cativar da mesma forma com uma história de terror. Erro meu. O lado positivo disso foi que O cabelo da boneca acabou superando minhas expectativas, e agora eu posso tentar fazer com que você, leitor, dê a devida atenção a essa história através desse texto.

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Mas é claro que para entender e se interessar pela novela você precisa saber o mínimo do que irá encontrar nela. O cabelo da boneca irá nos apresentar os acontecimentos vividos pela família Munford pelo ponto de vista de Marten, o mordomo. Anos se passaram e agora Marten relembra sua época de mordomo, assumindo a tarefa de nos explicar os estranhos fatos que ocorreram há anos com a família, tendo como foco o casal formado por Oliver e Ellyze, a pequena Marie e a chegada da tal boneca. É centrada nesses personagens que a narrativa se desenvolve – outros personagens também se destacam, mas prefiro não citá-los aqui para não correr o risco de estragar sua experiência de leitura.

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Agora podemos partir para a parte que mais me agradou, aquilo que tornou a novela algo especial para mim. Eu poderia muito bem destacar várias características positivas, mas vou optar por destacar a maneira como o passado é tratado na narrativa. Se alguém me perguntar sobre o que se trata O cabelo da boneca, minha primeira resposta será que esta é uma história sobre o passado. Aqui o passado nunca morre. Engana-se quem pensa que o que passou ficou para trás – durante o desenvolver da história temos um ótimo exemplo de como o que somos hoje é resultado do que fizemos ontem.

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Com uma ambientação bem descrita, personagens construídos com cuidado e clima tenso em constante crescimento, O cabelo da boneca consegue captar o estilo clássico das histórias de terror sem cair em clichês. É bastante nítida a atenção que o autor teve ao construir uma obra em que todas as peças se encaixam – não existe pressa, os fatos são bem cadenciados e resultam em uma trama muito bem amarrada. Deixo aqui a minha admiração pela obra, foi realmente uma leitura prazerosa e cativante, não poderia deixar de indicar. Espero que assim como eu você possa se surpreender com essa história, e que esse texto tenha servido para atiçar sua curiosidade por uma obra de terror nacional de qualidade.

nota

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5 comentários sobre “Resenha | O passado nunca morre em “O cabelo da boneca”, novela de Everaldo Rodrigues

  1. Na boa, mas me soou um tanto cafona esse trecho:

    “Futuramente daria lugar a um negrume de obscuridade infinitamente superior”.

    Esse “infinitamente” na frase é uma redundância. É o mesmo que o autor escrever “mais melhor”, “subiu para cima”, “entrou para dentro” e outros vícios de linguagem

    Esse tipo de construção com adjetivos rebuscados e redundâncias é muito comum entre a galera que escreve hoje em dia. Se pelo menos fosse um ou dois autores aí tudo bem, mas 99% dos textos de gênero fantástico que eu encontro em “wattpads” e e-books por aí, carregam essa dramaticidade .
    Dá a impressão que a galera pensa que a voz do narrador onisciente deve ter essa semelhança com texto de novela mexicana.

    Esse tipo de estrutura “poética” no texto em prosa é como sal na batata frita, ou seja, deve ser usado com parcimônia, com cuidado, caso contrário, a comida fica indigesta e ainda faz mal.

    Por isso eu pergunto: Qual é a razão de colocar na mesma frase adjetivos como “negrume” e “obscuridade”, duas palavras que já denotam que a situação futura na história será mesmo de trevas?

    Imagine, por exemplo, alguém conversando com você, tentando explicar que determinada situação está complicada e fica a todo instante despejando frases enfáticas como:
    “Olha só cara, a situação está obscura demais. Pois é… Está complicada e tenebrosa, nublada, mesmo. O futuro é negro e escuro, a coisa está em trevas, viu?”

    Pois então, adjetivos e advérbios em demasia funcionam dessa maneira. Eles podem até enfeitar o texto, mas em excesso eles subestimam o leitor. Pois se o livro é de terror, o leitor já está ciente de que o “monstro é assustador”, que a “noite é escura”, que o “sangue é rubro” e que “o assassino é cruel”.

    No lugar dos advérbios e adjetivos, utilize figuras de linguagem, tais como metáforas, metonímias, personificações. As figuras de linguagem, justamente por serem “figuras”, aguçam a imaginação do leitor.

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    • Oi Fernando,

      Analisando bem, podemos caracterizar a frase que você destacou como redundância, mas quero fazer um breve comentário em defesa da obra e seu autor. Antes, entenda que seu comentário é totalmente válido. Esse feedback é importante.

      O que quero destacar é que, se tratando de autores independentes, é normal encontrar uma falha ou outra durante a história. Acho aceitável, pois não existe uma equipe editorial dando suporte ao trabalho, toda a construção é feita pelo próprio autor. Sei que sua crítica é com relação a um recurso utilizado – acho isso compreensível –, mas temos que levar em conta que a ausência de uma equipe faz falta na hora de capturar esses erros.

      Acredito que o mais importante em uma história é a sensação que ela é capaz de causar, e essa consegue cumprir seu objetivo. Alguns exageros podem ser corrigidos com o tempo, o importante é o talento do autor em contar uma boa história, sua capacidade de causar sensações nos leitores.

      Obrigado pelo comentário!

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  2. Obrigado pelo retorno. Lembro que o meu objetivo não é desestimular o autor. Apenas apresento uma forma que ele reveja tais construções textuais. Tenho certeza de que com prática ele vai crescer muito.

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