Resenha | Sangue e prazer em “Hellraiser” e o terror visceral de Clive Barker

Sobre o que se trata

Hellraiser (adicionar ao skoob) apresentou ao público os demoníacos Cenobitas, personagens criados por Clive Barker que hoje figuram no seleto grupo de vilões ícones da cultura pop como Jason, Leatherface ou Darth Vader. Toda a perversidade desses torturadores eternos está presente em detalhes que estimulam a imaginação dos leitores e superam, de longe, o horror do cinema.

Caixa de Lemarchand, ritual e os Cenobitas

Hellraiser é um livro que prende a atenção do leitor nas primeiras páginas. Logo de cara vamos conhecer Frank e a sua busca por prazer, um prazer que ele acredita ser possível conseguir através da caixa de Lemarchand. Um ritual é preparado por Frank – uma oferenda – envolvendo cabeças de pombas, ossos, agulhas e até mesmo a urina do próprio Frank. Tudo para receber os Cenobitas. Após algum tempo, Frank consegue abrir a caixa e conhece os Cenobitas. “O que você deseja?” é a pergunta que lhe é feita, “prazer” é sua resposta. Mas Frank não sabia que o prazer para os Cenobitas era diferente do prazer que ele esperava receber. Para os Cenobitas, prazer envolve dor, tortura, e agora que a caixa de Lemarchand foi aberta e o pedido foi feito, não há possibilidade de desistir.

Esse começo já é o suficiente para prender o leitor, algo ótimo para um livro do gênero. Não é só Frank que fica preso no mundo dos Cenobitas, eu como leitor também fui junto. Achei incrível a capacidade narrativa que me tirou da realidade nas primeiras páginas, sem enrolação, simples e direto.

Casal, casa nova e o cômodo úmido

O terror não se limita ao mundo dos Cenobitas. A partir do segundo capítulo vamos conhecer um casal e a casa onde a maior parte da narrativa irá se desenvolver. Rory e Julia estão de mudança, a casa escolhida é a mesma em que Frank – irmão de Rory – viveu por um período e realizou o ritual com os Cenobitas. Não posso revelar muito para não estragar a experiência de leitura, portanto, vamos ao essencial: Julia já teve uma relação com Frank e existe um cômodo da casa onde muitas coisas irão acontecer (o quarto úmido). Kirsty também é uma personagem importante. Dá pra dividir o livro em duas partes: antes e depois de Frank abrir a caixa de Lemarchand. O livro é basicamente a luta de Frank tentando se livrar dos Cenobitas, e para que isso aconteça outras pessoas precisam estar envolvidas, um preço alto a se pagar.

Sangue, prazer e uma escrita visceral

Em 150 páginas Hellraiser consegue ser um dos melhores livros de terror que já li. Pelo tamanho do livro já é possível ter noção de como o livro é direto, sem nenhum tipo de enrolação. Clive Barker tem uma escrita crua e visceral, não economiza em sangue, carne dilacerada, sofrimento e vários outros elementos do terror. O prazer colocado no livro na maior parte do tempo é relacionado aos Cenobitas, o que significa tortura, dor e sofrimento – sadomasoquismo. O livro também conta com cenas de sexo, onde a censura é deixada de lado. No geral, Helraiser é um livro para quem tem cabeça e estômago. Indispensável para quem é fã de terror, contém todos os elementos que formam uma grande obra do gênero – um livro de peso, um clássico.

Sobre a edição

A forma como a DarkSide Books se supera a cada livro me deixa surpreendido. Para atender a sede dos fãs pelo clássico de Clive Barker, a editora lançou uma edição primorosa, uma das mais bonitas de seu catálogo. A capa do livro simula couro, vem apenas com a arte da caixa de Lemarchand em dourado e o título na lombada. Uma capa limpa e bonita. Por dentro temos o padrão DarkSide: diagramação perfeita, capítulos bem divididos e fita de cetim para marcas as páginas. Um dos livros mais bonito que tenho.

Livro recebido de parceria com a DarkSide® Books, para mais informações acesse o site e redes sociais da editora:

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