ESPECIAL DE TERROR | Crônica: “O Mundo da Estranheza”, ou como não ser uma pessoa normal

Em 1995 cheguei nesse mundo, olhei em volta e achei tudo muito estranho. Estranho: uma palavra que combina demais comigo. Desde sempre sinto dificuldade em entender o que estou fazendo nesse lugar, o que faço no meio de tanta gente normal. É difícil pertencer a esse mundo, o que eu queria mesmo era viver no mundo dos meus sonhos, viver na minha imaginação. A peça simplesmente não encaixa. E não importa o que eu faça, não importa o número de tentativas; a minha peça nunca estará suficientemente polida para fazer parte dessa engrenagem.

Mas isso não é necessariamente um problema. Tenho que viver no mundo da normalidade só porque nasci nele? Não mesmo. Fisicamente nasci nesse mundo, mas a minha alma pertence a outro lugar, minha alma pertence ao mundo da estranheza. No começo foi difícil, mas agora cheguei a um ponto onde tenho total consciência de que a minha natureza é estranha (tenho certeza que muitos sentem, mas não entendem o real significado desse sentimento), e é por isso que eu trago a dica mais valiosa para todos os seres que pertencem uma alma Estranha: entreguem-se ao Mundo da Estranheza. Foi isso que eu fiz – a atitude mais sábia que já tomei – e não me arrependo nem um pouco. Eu não estava no local certo, me entreguei cem por cento ao Mundo da Estranheza.

A transição é difícil, não vou negar. Primeiro vem a fase do reconhecimento, a pessoa tem que compreender quem ela realmente é, descobrir e aceitar sua natureza. Tive que descobrir quem eu sou, reunir todas as peças que formam o meu ser e arrumá-las para viagem. Mas que peças são essas? Simples: tudo aquilo que eu gosto, todas as coisas com que me identifico. Eu sou um homem que gosta de literatura, rock, cinema. Um homem que gosta do suspense, do místico, do terror, do discreto. Um homem que gosta de mulheres inteligentes, discretas e elegantes. Essas são as peças que formam o meu ser, esse sou eu. Agora estou pronto.

Hora da viagem, meus amigos. Vamos para o mundo da estranheza, vamos para o lugar que irá nos acolher da maneira que merecemos. Chega dessa coisa de ser normal, isso não é para mim, eu não nasci para ser normal. Levarei o som do Black Sabbath, Led Zeppelin, AC/DC, Motörhead e tantos outros comigo. Levarei O Velho e o Mar, A Metamorfose, Psicose, A Noite dos Mortos-Vivos e Golem e o Gênio comigo. Outros virão quando eu estiver no conforto do Estranho. Não tenha medo, essa é a fase mais prazerosa da viagem; o Mundo da Estranheza está logo ali, dentro de cada um de nós. Ao chegar mande um recado e não esqueça: seja estranho!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s