Resenha | A Volta do Parafuso, Henry James

“A Volta do Parafuso” de Henry James foi inicialmente publicado em formato de folhetim em edições do jornal literário Collier’s Weekly: An Illustrated Journal. Enquadra-se bem no gênero novela em que Henry James foi particularmente bem-sucedido, constituindo um paradigma deste formato “curto demais para ser um romance e longo demais para ser um conto”. Em seu aparecimento em quatro partes nos primeiros meses de 1898 foi considerado um dos maiores triunfos literários do autor ao mesmo tempo em que foi tido como seu trabalho mais enigmático e controvertido.

“A Volta do Parafuso” é um relato de uma moça cuja função é ser preceptora de uma casa assustadora. Por que assustadora? Bom, digamos que é pelo fato da casa se localizar em um local chamado Bly, uma local enorme, típico casarão clássico de histórias assustadoras. Essa moça (seu nome não é citado) recebe um convite para tomar conta de um casal de crianças órfãs, a entrevista é feita pelo tio das crianças, descrito como um homem bonito e cheio de encantos. Agora é importante citar que esse homem, tio das crianças, impõe uma condição muito estranha para que a moça possa ocupar o cargo de preceptora: ela não pode reclamar de nada, nunca deve entrar em contato com ele, precisa tomar conta de tudo sozinha. Mesmo com toda essa responsabilidade, a moça aceita o trabalho que lhe foi oferecido e se dirige para Bly para começar a prestar seus serviços.

Logo em sua chegada ela conhece a Senhora Grose, uma mulher que já trabalhava na casa. A senhora Grose será de extrema importância para a nova preceptora, é ela que vai explicar como funcionam as coisas em Bly e fará o possível para deixar a nova preceptora confortável. Depois temos o momento onde a preceptora conhece as crianças e fica impressionada com a beleza e inteligência de ambas, são crianças como ela nunca havia visto antes. É claro que isso não é o suficiente para trazer o tom assustador ao livro, portanto, coisas estranhas começam a acontecer.

Vou fazer comentários breves para tentar esclarecer o clima do livro, tudo que for dito a seguir é colocado ao leitor no começo do livro, sem spoilers, claro.

Nossa narradora descobre que anteriormente outra mulher tinha ocupado o cargo de preceptora, era ela responsável pela menina Flora. A Senhora Grose explica que recentemente essa mesma mulher tinha ido embora. Essa mulher morreu. Outra coisa que a nova preceptora vai tomar conhecimento é de um homem que anteriormente cuidava do menino Miles e de algumas coisas do seu patrão. Esse homem também morreu. É dessa forma que a história ganha o seu tom de assustador, a nova preceptora em alguns momentos começa a ver essas duas figuras que anteriormente haviam educado as crianças (educado de forma estranha) e começa a acreditar que eles ainda exercem alguma influência nas crianças. É trabalho da preceptora encontrar uma forma de cuidar das crianças, sempre seguindo a condição que foi estabelecida no começo: não comunicar de forma alguma o tio das crianças.

Filme – Os Inocentes (1961)

Em 1961 o livro de Henry James ganhou uma adaptação para o cinema, produzido e dirigido por Jack Clayton. O título do filme é o mesmo da peça teatral de Archibald, que primeiro adaptou a história de James. (assista o trailer)

A escrita de Henry James é simples, os diálogos são prazerosos e as descrições fazem o leitor entender bem o local onde tudo acontece. Confesso que em alguns momentos (lá para a metade) fiquei desanimado com a narrativa do livro, pois algumas situações demoram muito para ser esclarecidas. Mesmo assim foi o tipo de leitura que não me arrependo de ter feito, a história volta a ganhar ritmo quando vai se aproximando do final fazendo o interesse do leitor crescer novamente. Vale a pena conhecer esse clássico do terror psicológico.

NOTA DO SR.MACHADO – 8/10

Autor: Henry James | Editora: Ladmark | Gênero: Terror/Drama

2 comentários sobre “Resenha | A Volta do Parafuso, Henry James

  1. Cara, li esse livro recentemente e tinha grandes expectativas. Mas acho que o autor entregou as coisas rápido demais. A narrativa, como você também citou, fica um pouco enfadonha em determinadas partes, e o livro acaba se “arrastando” um pouco.

    O final também achei bem confuso.

    Sei da grandeza do livro, mas não correspondeu as minhas expectativas. Talvez em uma releitura eu encontre tudo o que falam do livro.

    Curtido por 1 pessoa

    • Eu também peguei esse livro com uma expectativa muito alta, em alguns momentos me decepcionei com o andar da narrativa, pensei que o autor iria desenvolver várias coisas mas na verdade a história acaba ficando sempre na mesma. Mesmo assim acho que valeu a pena, o começo eu achei muito bom e o final (na minha opinião) foi satisfatório.

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